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O Balanço

Estive durante estes últimos oito anos na Assembleia de Freguesia de Sebal na oposição pelo PSD. Particularmente nestes últimos quatro anos integrei a mesma lista posicionada em 3º lugar, ascendendo ao 2º lugar por motivo do pedido demissão do cabeça de lista.

Pautámo-nos sempre por uma sã convivência institucional, onde o que mais importou foi o desenvolvimento da nossa terra e não a mera oposição partidária. Os poucos assuntos em discussão por serem imprescindíveis para a freguesia foram por nós apoiados.

Curiosamente, constatámos que a maior oposição, digo entrave,  não teve origem nos partidos da oposição, mas sim na Câmara Municipal de Condeixa que se pautou por um relacionamento que não respeitou nem acolheu as decisões soberanas tomadas pela Assembleia de Freguesia.

Ao tratar assuntos apresentados directamente e individualmente por cidadãos,  ao invés de aceitar as sugestões propostas pela Assembleia de Freguesia, a Câmara Municipal de Condeixa denegriu a sua imagem porque não respeitou a Instituição Junta de Freguesia e só se preocupou única e exclusivamente com os resultados eleitoralistas. A Câmara de Condeixa, colocou assim  a segurança dos cidadãos e o bem estar das populações em segundo plano.  Cito como exemplo as graves falhas de segurança da requalificada estrada Barreira – Alto da Serra.

Das muitas  propostas por nós apresentadas indicamos algumas que continuam pendentes:

  1. A iluminação da estrada desde a rotunda da Zil (Zona Industrial) e a entrada da Venda da Luísa, foi pedida pela “enésima” vez;
  2. A Limpeza preventiva de algumas linhas de escorrências das águas pluviais dentro da Venda da Luísa e noutros lugares, que tem provocado algumas inundações;
  3. Limpeza preventiva de linhas de água em geral;
  4. Colocação de placas identificadoras de limite da freguesia do Sebal. Por não terem sido colocadas,  originou um conflito com a Junta de Freguesia de Anobra  que abusivamente ultrapassou os limites territoriais e ocupou a nossa freguesia;
  5. As nossas matas estão cheias de lixo – propusemos a colocação de placas identificativas com o logótipo da freguesia  nos locais mais críticos, com mensagem de apelo à não poluição e indicação da infracção e respectivas coimas;
  6. Poluição das nossas Ribeiras por motivo do mau funcionamento das ETARES;
  7. Construção de um abrigo na antiga feira dos dezanove para as máquinas, tractor e alfaias agrícolas propriedade da Junta;
  8. Ligação de todos os  fontanários à rede pública – existe uma grande discriminação entre lugares e freguesias;
  9. Limpeza de nascentes e recuperação das fontes para fruição das populações;
  10. Instalação de outra torneira dentro do cemitério e recuperação de calçada arrancada;
  11. Propusemos a limpeza dos azulejos da fonte S. Pedro no Sebal e criação de um local para a colocação de publicidade;
  12. Levantámos a questão da subtracção de umas alminhas na zona da ZIL (Zona Industrial), ricamente decorada com azulejos  (Séc XVII-XVIII), sem nunca obtermos qualquer resposta da Câmara Municipal;
  13. Completar o saneamento em falta na freguesia foi uma das nossas maiores peocupações apresentadas na Assembleia pelos riscos que envolve para as pessoas e para o Ambiente em geral.

Por terem sido já tão debatidos, não me atrevo a referir alguns casos gritantes já resolvidos em plena campanha eleitoral.

É de salientar que todas estas nossas propostas não mereceram qualquer oposição expressa da Junta PS, não nos cabendo a nós discutir a dinâmica das reuniões, sendo esta da responsabilidade do Presidente da Assembleia.

Não posso também deixar de referir que particularmente tenho participado activamente para a decisão de situações negativas para o concelho e em particular para a freguesia. Por carta, pessoalmente e por correio electrónico tenho denunciado e dado conhecimento dos atentados ambientais, problemas de qualidade de vida e de risco para a vida humana a todas as Entidades, Instituições e Autoridades, nem sempre recebendo as respostas obrigatórias por lei.

Refiro ainda, a sensibilização da opinião pública através da comunicação social, concretamente com um artigo de opinião em prol da requalificação da EN 1-7 e outro contra a poluição da ribeira de Cernache, ambos já publicados neste blog.

Fiz ainda parte de um movimento contra a já referida poluição generalizada da Ribeira de Cernache, que conseguiu em parte reduzir o impacto sobre o ecossistema.

Através de documentos encontrados nos vazamentos de lixos, identifiquei alguns presumíveis autores e denunciei as situações ao  SEPNA/GNR, desconhecendo-se os resultando dos processos, se é que os mesmos foram levantados.

Julgo que, contrariamente ao que se insinua, cumpri o meu dever de cidadã melhor que qualquer elemento das listas opositores, e sem rodeios posso afirmar que fiz mais que todos eles  juntos. Se estiver enganada, agradeço que o provem.

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Sendo o português um povo devoto desde que se conhece, soube com originalidade e arte popular construir  junto de caminhos  e encruzilhadas locais de culto onde praticam orações pelas almas do purgatório. Não sendo uma  prática original do culto cristão, herda das tradições pagãs a ajuda pedida aos deuses para livrar dos perigos que enfrentavam os viajantes, agora sob a forma do culto das Almas.

Existia uma destas Alminhas a pouco mais de uma  ou duas centenas de metros dos Quatro Caminhos à beira da estrada para Condeixa, antes de se chegar ao restaurante Marujo. Concretamente numa encruzilhada onde nascia uma rua para Norte ladeada de cedros  hoje  Zona Industrial de Condeixa sensivelmente entre a Dominó e a Keramus.

Exerciam estas alminhas uma forte tradição no culto popular, nomeadamente naqueles que se dirigiam para a feira mensal de gado  da Barreira – Os Quatro. Justifica-se este apego porque as alminhas eram a Capelinha de Santo António da Roubaca e tanto mais que o santo é considerado patrono dos animais.

Ora para construir a Zona Industrial, interpunha-se uma capelinha centenária ricamente decorada no seu interior por belíssimos azulejos pintado à mão com imagens de Santo António e motivos associados à canonização. São (ou eram) aqueles azulejos do Sec XVII ou XVIII e a capelinha provavelmente mais antiga.

Sendo o poder cego às coisas da Arte e Cultura, um cidadão consciente alertou a Autarquia para o grave atentado em curso. Recebeu este ilustre cidadão garantia de que tinham sido salvaguardados os interesses em causa, e os azulejos guardados (?).

Pois bem, conforme já propôs o zeloso cidadão por escrito, julgo que tratando-se de obra de custo reduzido, estará na hora de reconstruir a capela desmantelada o mais próximo possível do local original,  devolvendo os azulejos à vista da tradição popular.

Sem tradição não há memória, e sem memória não há história…

E estas vão pelo mesmo caminho...

E estas vão pelo mesmo caminho...da incúria e do desleixo

Nota:

  1. texto baseado em relatos orais e documentos escritos
  2. artigo publicado em http://orfeaodecondeixa.wordprees.com

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